Maria Cristina da Silva Nogueira, de 25 anos, mãe de três filhos e moradora há 10 anos da comunidade Belo Horizonte, no Rio Campinas, zona rural de Cruzeiro do Sul, fez um desabafo emocionado sobre as dificuldades enfrentadas por agricultores locais na venda de farinha.
Em vídeo enviado ao Juruá24horas, ela relata humilhações constantes por parte dos “marreteiros”, intermediários que compram o produto diretamente dos produtores. “Nós somos muito humilhados. Não temos o direito de dar o preço dos nossos produtos”, lamenta Maria Cristina.
Segundo ela, ao chegarem com os carros carregados de farinha, os compradores furam os sacos sem permissão para checar a qualidade, sobem no veículo como se fosse deles e impõem um valor irrisório, sem nem perguntar o preço proposto.
“Já chega botando opinião e paga o preço da farinha o tanto que eles querem”, descreve a agricultora, que vive da produção e venda do alimento. Moradores da área remota dependem exclusivamente dessa renda, mas se sentem explorados. “Nós moramos longe, vivemos da farinha, de vender a farinha. A gente pede justiça, um apelo para todo mundo, as autoridades que nos ajude nesse ponto porque nós já estamos esgotados”, cobra ela, em tom de exaustão.
O caso expõe uma realidade comum na zona rural de toda a região do Juruá, onde produtores enfrentam desequilíbrios na negociação e falta de fiscalização. A reportagem busca contato com autoridades locais e representantes dos agricultores para mais detalhes.
Por Juruá24horas
